quarta-feira, 15 de junho de 2011

INOVAÇÃO E AGREGAÇÃO DE VALOR PARA O SETOR COUREIRO-CALÇADISTA: UM FATOR DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Para Joseph Alois Schumpeter[1], a inovação é o fator preponderante para o desenvolvimento econômico. O pensamento Schumpeteriano argumenta que, o capital consolidado na economia é utilizado para financiar, por meio do crédito, os empreendedores que são os responsáveis pela inovação, agregando valor na economia e promovendo o desenvolvimento econômico.
A partir de um determinado nível de investimentos, incentivados por meio da concessão de financiamentos de longo prazo para empreendedores comprometidos com a inovação, permitiria a manutenção e/ou ampliação do nível de consumo, motivado pela manutenção e/ou aumento do nível de renda e pela manutenção e geração de empregos, propiciando assim, uma economia forte e competitiva com alto valor agregado[2].
Tendo a inovação como fator de desenvolvimento econômico, principalmente como fator de vantagem competitiva e agregação de valor, tem-se a necessidade de sua aplicação a partir da adoção de determinados tipos de políticas públicas de desenvolvimento regional como as i) políticas de mobilização e valorização de capital endógeno (empreendedorismo, microcrédito, etc.); ii) políticas de promoção e valorização de externalidades da competitividade empresarial (arranjos produtivos locais, pólos de inovação tecnológica, etc); iii)  políticas de promoção de competitividade territorial (qualificação profissional, publicidade territorial); iv ) Políticas territoriais de aplicação do conceito de estratégias de eficiência coletiva (redes de cooperação, extensão empresarial, etc.).
Essas políticas são realizadas a partir da transversalidade governamental, e devem contar com a necessária participação institucional da indústria e das universidades, formando assim uma política de desenvolvimento regional de ciência e tecnologia tendo como base o paradigma da “Hélice Tríplice”: Universidade – Indústria – Governo.
Para Etzkowitz (2009,)[3] a Hélice Tríplice:

“é a chave para a inovação em sociedades cada vez mais baseadas no conhecimento. Uma vez que a criação, disseminação e utilização do conhecimento se movem a partir da periferia para o centro da governança e produção industrial, o conceito de inovação, em produtos e processos, está sendo, ele próprio, transformado [...] A Hélice Tríplice descreve este novo modelo de inovação e ajuda alunos, pesquisadores e legisladores na abordagem de questões do tipo: como ampliamos o papel das universidades no desenvolvimento econômico e social e regional? Como os governos, em todos os níveis, podem incentivar os cidadãos a desempenharem um papel ativo na promoção e inovação e, inversamente, como os cidadãos podem incentivar seus governos a fazerem isso? Como as empresas podem colaborar uma com a outra e com universidades e governos para se tornarem inovadoras? Quais os elementos-chave e os desafios para que tais metas sejam alcançadas?”

Assim, a inovação como um instrumento de agregação de valor, levaria o governo em parceria com de universidades e empresas, a desenvolver uma política pública de ciência e tecnologia a partir da adoção de ações que permitissem a sinergia necessária para a maturação da Hélice Tríplice.
Assim, o governo seria o incentivador da inovação nos processos produtivos, juntamente com a indústria, formada pelos trabalhadores (que são os detentores do conhecimento e da habilidade prática) e os empreendedores (que buscam o financiamento e realizam a gestão do negócio); das universidades e centros de pesquisa (que concentram os agentes interessados na criação e ciência) e o governo (que busca corrigir os espaços que o mercado não está presente e assim possibilitar o desenvolvimento econômico e social de seu povo).
No caso do setor coureiro-calçadista, objeto da Câmara Temática do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Rio Grande do Sul - CDES RS (Conselhão), as ações de Hélice Tríplice devem ser direcionadas para atender ações prioritários concertados pelos conselheiros membros, como a parceria de entidades de profissionais como o Conselho Regional de Economia do Estado (CORECON) e o Conselho Regional de Administração (CRA) no Rio Grande do Sul, juntamente com as Centrais Sindicais, Sistema “S”, além de políticas de parceria com entidades e institutos nacionais de pesquisa, para incentivar a pesquisa e inovação no setor coureiro-calçadista e na sua cadeia produtiva, por meio de bolsas de pesquisas nas universidades inseridas nas regiões produtoras de calçados, para incentivar não só os pesquisadores, mas também os estudantes-trabalhadores do século XXI, que possuem “intimidade” com a tecnologia e são atraídos por ela. 
A base metodológica apresentada aqui pode ser utilizada em todo setor econômico, principalmente naqueles que utilizam o uso intensivo de mão de obra na produção, uma vez que o Brasil começa a ter como característica na sua base industrial o uso intensivo de tecnologia, para tanto, surge a necessidade de inovação.
Diante disso, torna-se necessário, que o Rio Grande do Sul esteja inserido na vanguarda da inovação tecnológica, por meio de políticas públicas e a adoção da Hélice Tríplice.




[1] A introdução de uma inovação no sistema econômico é chamada por Schumpeter de “ato empreendedor”, realizada pelo “empresário empreendedor”, visando a obtenção de lucratividade, que, segundo o autor, é o motor de toda a atividade empreendedora.
[2] LIMA, Mário de. A eficiência das medidas da política do governo brasileiro frente à crise financeira internacional. Artigo publicado no Jornal Contexto Econômico – Ano XIV, nº 58, dezembro de 2008.
[3] ETZKOWITZ, Henri. Hélice Tríplice: universidade – industria – governo, Inovação em Movimento. ediPUCRS. Porto Alegre, 2009.

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