Na semana passada, fui entrevistado pelo Jornal do Comércio de Porto Alegre, para saber mais informações sobre uma palestra que realizei para líderes sindicais, em que delineava o futuro do sindicalismo, após as mudanças ocorridas nos últimos anos na econômica mundal.
Na década de 1980, os agentes e formuladores de políticas públicas, após vivenciarem a eclosão do endividamento internacional, iniciaram uma discussão envolvendo a necessidade de ajustes estruturais do “Estado-Nação”, que consistia basicamente, no ajuste fiscal e em reformas orientadas para o mercado.A partir dos anos 1990, mesmo o ajuste fiscal estando entre os principais objetivos, a ênfase estendeu-se para a Reforma do Estado, particularmente uma reforma administrativa do setor público. Essa reforma, logo foi denominada de "Política Neo-Liberal".
Essa reforma no âmbito do Estado, teria como base a mudança de uma administração pública burocrática para uma administração pública gerencial. A administração pública burocrática é dirigida para suas próprias necessidades e perspectivas, auto-referente, concentra-se nos processos e nos controles preventivos, desconsiderando a alta ineficiência envolvida.
Já administração pública gerencial é orientada para o cidadão, concentrando os seus esforços sob a ótica de um cidadão “consumidor”, orientada para os resultados, tendo como base a delegação de autoridade, e de responsabilidade ao gestor público (accountability); o rígido controle sobre o desempenho, a partir de indicadores acordados e definidos por contrato (meritocracia), e a descentralização.
É diante deste contexto, que os sindicatos se viram obrigados a se adaptar à nova Ordem Mundial.
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Em apresentação na 4ª Conferência do Bioma Pampa na fronteira do Brasil com o Uruguai (Santana do Livramento - Riveira) |
Os sindicatos e centrais sindicais, que queiram sobreviver às mudanças promovidas dentro do âmbito estatal e no mercado, deverão participar do debate e da criação de políticas públicas, principalmente as soluções econômicas.
O principal exemplo dessas ações, foi a participação das centrais sindicais no combate à crise, na proposição da diminuição de impostos como àqueles incidentes na "linha branca" de eltrodomésticos, como o IPI, que proporcionou o aumento do consumo interno em substituição à economia exportadora.
Também salienta-se, a participação de outros debates como os que a Força Sindical do Rio Grande do Sul vem travando, como a discussão do desenvolvimento sustentável no Bioma Pampa e o Desenvolvimento Regional da Faixa de Fronteira do Brasil.
Ainda, deve-se destacar outras discussões que virão e que serão de total interesse dos trabalhadores, como os modelos de geração de energia, políticas climáticas, gestão das águas, sistema de transportes e mudanças tecnológicas.
É nesse sentido que deverá ser abordado o papel do sindicalismo contemporâneo. Isso pode ser observado já na obra do economista Amartya Sen, intitulada "O Desenvolvimento como Liberdade", em que o mesmo defende a riqueza a partir do acesso das pessoas à liberdades essenciais como educação, saúde, segurança, mobilidade, democracia e renda.
Isso quer dizer que os trabalhadores não querem mais apenas aumentos ou reajustes salariais, mas também um transporte decente, saúde e educação pública com qualidade e liberdade no mais amplo sentido.
Também, ações de prestação de serviços médicos, odontológicos, além das tradicionais atividades sindicais deverão estar presentes.
Portanto, a mudança no sindicalismo não passa pela ruptura de ações, mas sim pela assimilação de novas atividades que se apresentam no novo milênio.



