quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Qual é o papel do sindicalismo contemporâneo?

Na semana passada, fui entrevistado pelo Jornal do Comércio de Porto Alegre, para saber mais informações sobre uma palestra que realizei para líderes sindicais, em que delineava o futuro do sindicalismo, após as mudanças ocorridas nos últimos anos na econômica mundal.
Na década de 1980, os agentes e formuladores de políticas públicas, após vivenciarem a eclosão do endividamento internacional, iniciaram uma discussão envolvendo a necessidade de ajustes estruturais do “Estado-Nação”, que consistia basicamente, no ajuste fiscal e em reformas orientadas para o mercado.A  partir dos anos 1990, mesmo o ajuste fiscal estando entre os principais objetivos, a ênfase estendeu-se para a Reforma do Estado, particularmente uma reforma administrativa do setor público. Essa reforma, logo foi denominada de "Política Neo-Liberal".
Essa reforma no âmbito do Estado, teria como base a mudança de uma administração pública burocrática para uma administração pública gerencial. A administração pública burocrática é dirigida para suas próprias necessidades e perspectivas, auto-referente, concentra-se nos processos e nos controles preventivos, desconsiderando a alta ineficiência envolvida. 
Já administração pública gerencial é orientada para o cidadão, concentrando os seus esforços sob a ótica de um cidadão “consumidor”, orientada para os resultados, tendo como base a delegação de autoridade, e de responsabilidade ao gestor público (accountability); o rígido controle sobre o desempenho, a partir de indicadores acordados e definidos por contrato (meritocracia), e a descentralização.
É diante deste contexto, que os sindicatos se viram obrigados a se adaptar à nova Ordem Mundial.


Em apresentação na 4ª Conferência do Bioma Pampa na fronteira do Brasil com o Uruguai (Santana do Livramento - Riveira)
 
Os sindicatos e centrais sindicais, que queiram sobreviver às mudanças promovidas dentro do âmbito estatal e no mercado, deverão  participar do debate e da criação de políticas públicas, principalmente as soluções econômicas.
O principal exemplo dessas ações, foi a participação das centrais sindicais no combate à crise, na proposição da diminuição de impostos como àqueles incidentes na "linha branca" de eltrodomésticos, como o IPI, que proporcionou o aumento do consumo interno em substituição à economia exportadora.
Também salienta-se, a participação de outros debates como os que a Força Sindical do Rio Grande do Sul vem travando, como a discussão do desenvolvimento sustentável no Bioma Pampa e o Desenvolvimento Regional da Faixa de Fronteira do Brasil.
Ainda, deve-se destacar outras discussões que virão e que serão de total interesse dos trabalhadores, como os modelos de geração de energia, políticas climáticas, gestão das águas, sistema de transportes e mudanças tecnológicas.
É nesse sentido que deverá ser abordado o papel do sindicalismo contemporâneo. Isso pode ser observado já na obra do economista Amartya Sen, intitulada "O Desenvolvimento como Liberdade", em que o mesmo defende a riqueza a partir do acesso das pessoas à liberdades essenciais como educação, saúde, segurança, mobilidade, democracia e renda.
Isso quer dizer que os trabalhadores não querem mais apenas aumentos ou reajustes salariais, mas também um transporte decente, saúde e educação pública com qualidade e liberdade no mais amplo sentido.
Também, ações de prestação de serviços médicos, odontológicos, além das tradicionais atividades sindicais deverão estar presentes.
Portanto, a mudança no sindicalismo não passa pela ruptura de ações, mas sim pela assimilação de novas atividades que se apresentam no novo milênio.






Um comentário:

JRicardo Nunes disse...

Parabéns, muito bom seu blog. Felicidades.